sábado, 30 de julho de 2011

Um cheiro que eu conheço bem


O cheiro que te marca, pode ser o da pele, porque a curva entre o ombro e cabeça te inebria, mas pode ser também o cheiro do caminhão de lixo que passa na porta da tua casa duas vezes por semana. Pode ser cheiro de alecrim ou pitanga, perfume doce misturado com o cítrico, o cheiro de fumaça ou do desinfetante.


Qualquer aroma que se aspira, fica!

O aroma tem vontade própria, te domina, e pode mudar seu humor em questão de segundos. É o cheiro do seu quarto, das brincadeiras da infância, dos amigos, dos doces da venda da esquina, cheiros do passado. Nada que você venha a fazer vai levar embora a lembrança do perfume. Essa é uma lembrança que fica guardadinha lá dentro, num lugar profundo que ninguém conseguirá descobrir.

Tudo que existe tem um cheiro feito para marcar, e que em um dia qualquer vai passar junto com vento e trazer aquela lembrança gostosa que vai te fazer querer voltar (ou não) no tempo.

Quem tem a vida entrelaçada com os aromas, reconhece tudo que gosta pelo perfume, e todo nariz tem seu cheiro preferido. E eu quero dizer que cheiro de livro é a coisa mais linda que existe e o que mais me agrada, porque dele vem o cheiro das coisas que mais agradam. É o cheiro do romance, da amizade, tragédia, de vilões e mocinhos. Cheiro dos encantos e comoções que uma leitura provoca.

Pegar um livro, fechar os olhos e aspirá-lo bem de pertinho é sentir o cheiro do suspense, o perfume da curiosidade, os odores das descobertas. Quem cheira os livros, ganha um sorriso no canto da boca, um brilho de emoção no olhar. Depois disso, é só suspirar, suspirar e dançar com as lembranças que as páginas de um livro provocam.

Samile Rúbia

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